quinta-feira, 13 de março de 2025

TJRJ cria Grupo de Trabalho Interinstitucional de Enfrentamento à Violência Obstétrica

Inciativa busca promover ações que garantam os direitos de todas as mulheres, especialmente durante a gestação, o parto e pós-parto



Em celebração ao Dia Internacional da Mulher – comemorado no dia 8 de março –, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (COEM), criou o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Enfrentamento à Violência Obstétrica, que tem por objetivo prevenir e coibir práticas de violência obstétrica no âmbito do Judiciário fluminense. 

Instituído pelo ato executivo TJ nº 174/2024, a inciativa busca promover ações que garantam os direitos de todas as mulheres, especialmente durante a gestação, o parto e pós-parto, assegurando a dignidade humana, a saúde e a tutela jurisdicional adequada de seus direitos. 

O Grupo de Trabalho tem como presidente a coordenadora da COEM, desembargadora Adriana Ramos de Mello, e contará com a participação de representantes de diversos órgãos como Defensoria Pública, Secretaria de Polícia Civil, Secretaria Estadual de Polícia Militar, Secretarias estadual e municipal da Mulher, Secretarias estadual e municipal de Saúde, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Comissão Especial de Combate à Violência e ao Racismo no Ambiente Obstétrico da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, entre outros. 

A violência obstétrica se refere a abusos, maus-tratos, desrespeito, xingamentos, humilhações, procedimentos realizados sem consentimento, situações que as mulheres enfrentam durante a gestação, no parto e no pós-parto. Tudo isso é considerado um desrespeito à autonomia da mulher. São mulheres que têm os seus diretos, desejos e necessidades ignorados”, explica a desembargadora Adriana Ramos de Mello.  

De acordo com a magistrada, também à frente da COEM, uma pesquisa realizada através da Emerj (Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro), analisou mais de 100 processos judiciais nos quais as mulheres ajuizaram ações de responsabilidade civil justamente em razão das sequelas que elas ficaram ou até mesmo os seus bebês. O estudo demonstrou que as mulheres não tinham informações sobre os seus direitos.  

A pesquisa apontou para a necessidade de uma legislação especifica para coibir esse tipo de violência, que é uma violência de gênero por excelência, praticada durante um período em que as mulheres estão mais fragilizadas, mais vulneráveis. Esse grupo de trabalho, criado pelo Tribunal de Justiça do Rio, é um avanço importantíssimo para promoção de políticas públicas para que essas mulheres tenham seu acesso à saúde garantido. Um acesso respeitoso, onde elas possam ser as protagonistas dos seus partos”, destaca a desembargadora. 


Dica de livro: Cordel infantil enaltece o poder da educação na vida das crianças

Com homenagens à cultura nordestina, a professora Elisiany Leite Lopes de Souza narra a história de mãe e filha que transformam suas trajetórias por meio das palavras



Mãe, quero ser igual a você utiliza o cordel para retratar um período comum nas famílias brasileiras: o momento em que os filhos, depois de crescerem inspirados pela figura da mãe, precisam escolher um futuro profissional. Baseada em uma experiência pessoal, a educadora e escritora Elisiany Leite Lopes de Souza lança este livro para exaltar a cultura nordestina e reforçar a importância dos laços afetivos em situações decisórias na vida dos jovens.

A obra começa com os desafios de uma mulher que sai do interior do Ceará para lecionar na capital. Entre a saudades do lugar em que nasceu e das pessoas conhecidas, trilhou uma carreira sólida como professora e formou a própria família. Teve uma filha que, ao crescer, enfrentou o recorrente dilema de decidir uma profissão. Escrever, dançar, atuar... todas as artes chamavam sua atenção, mas tornou-se educadora, como a mãe.

Porém, contente de ajudar
Os seus estudantes potentes.
Para apagar a dor que a atormentava
Começava a cantar Disparada
De Zé Ramalho
“Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar”
(Mãe, quero ser igual a você, p. 12)

Com referências a Patativa do Assaré, José de Alencar, Rachel de Queiroz e Zé Ramalho, a obra homenageia grandes nomes do Nordeste ao passo que reforça o papel do ensino para transformar o futuro das famílias e revela o poder das palavras na união entre pais e crianças. Também salienta a importância do trabalho dos professores para a conexão dos pequenos com a cultura do país e, portanto, com suas identidades.

Com ilustrações de Thiago Valoni, a obra expõe as possibilidades da educação para a construção de um país diverso, mais pacífico e feliz. “A saga da Dona Maria e Lili se baseia na história de vida da minha mãe e a minha. Eu quis dar o protagonismo para a mulher do campo de origem simples, mas que, com honestidade, trabalho e estudo, realizou alguns de seus sonhos. E ensinou a sua filha que, não importa o que deseje estudar ou trabalhar, se ela fizer com amor, será recompensada”, explica a autora.

FICHA TÉCNICA

Título: Mãe, quero ser igual a você
Autora: Elisiany Leite Lopes de Souza
Editora: Ases da Literatura
ISBN: 978-6552280541
Páginas: 30
Preço: R$ 49,90 (físico)
Onde comprar: Amazon

Sobre a autora: Elisiany Leite Lopes de Souza é professora, escritora e jornalista. Formada em Jornalismo, Letras e Pedagogia, com mestrado em Linguística Aplicada, é professora concursada da educação infantil em Juazeiro do Norte, no Ceará. Responsável pelo blog “Nem firulas nem frescuras”, é autora do livro infantil Mãe, quero ser igual a você e coautora de “Nordeste em verso e prosa” (Bailer Books). Participa de outros projetos literários, que serão lançados em 2025, como “Encontros e Desencontros” (Ler Amar), “Luz da Lua” (Ler Amar) e “Era uma Vez” (Lura), além de uma coletânea em homenagem à Itabira e a Carlos Drummond de Andrade.

Redes sociais da autora:

Instagram: @elyslopesoficial
Facebook: /elys.lopes.3

Blog da autora: https://nemfirulasnemfrescuras.blogspot.com/


terça-feira, 11 de março de 2025

Shoppings do Rio oferecem sessões CineMaterna para mães, pais e bebês

Os filmes são escolhidos pelas famílias cadastradas no site do CineMaterna através de votação em enquetes


Foto: Divulgação 

O CineMaterna, ONG instituída por mães, conta com o apoio de shoppings na cidade do Rio de Janeiro para promover sessões de cinema adaptadas para famílias com bebês de até 18 meses. 

Confira o dia, o horário e programe-se! 

Kinoplex do Shopping Nova América exibe o filme "Ainda Estou Aqui" no dia 11/03 às 14h00. Oferece 10 cortesias.

Cinemark do Botafogo Praia Shopping exibe o filme "Um Completo Desconhecido" no dia 12/03 às 14h10. Oferece 10 cortesias.

Kinoplex do West Shopping exibe o filme "Ainda Estou Aqui" no dia 12/03 às 14h00. Oferece 10 cortesias.

Crianças acima de 18 meses e acompanhantes são bem-vindos! Verifique se a classificação indicativa do filme é adequada para a faixa etária. 

Cortesias:
Alguns shoppings parceiros da ONG oferecem cortesia para as primeiras famílias com bebês de até 18 meses. É limitada a uma cortesia por bebê para uso de um adulto: mãe, pai ou responsável. Bebês até os 2 anos participam gratuitamente. Caso a sessão não possua cortesia, ou estejam esgotadas, famílias e acompanhantes podem adquirir seus ingressos na bilheteria ou totens do cinema.


Diferenciais das sessões CineMaterna:

  • Trocadores dentro da sala de cinema, equipados com fraldas e lenços umedecidos;
  • Estacionamento para os carrinhos de bebê;
  • Sala com ar-condicionado ameno;
  • Som do filme mais baixo;
  • Ambiente levemente iluminado para que o público possa circular durante a sessão com segurança;
  • Tapete EVA para bebês que já engatinham ou caminham.
  • Voluntárias CineMaterna que organizam a sessão, recebem e auxiliam as famílias com carinho.
  • Após cada sessão, as voluntárias convidam as famílias para um bate-papo descontraído próximo ao cinema. 

Participar do CineMaterna vai muito além de apenas assistir a um filme. É fazer parte de uma rede de apoio e amor para as famílias que passam pelas transformações da parentalidade. Além disso, o encontro com outras famílias que passam pelas mesmas aflições e aprendizados, garante momentos de descontração, desabafo e alegria.

 

Você ajuda na escolha da programação: 

Os filmes são escolhidos pelas famílias cadastradas no site do CineMaterna através de votação em enquetes. As enquetes ficam abertas de quinta-feira a domingo. O resultado da votação é divulgado no site, na quinta-feira que antecede a sessão, para que todos possam se programar a tempo de participar.

 

Clique aqui e cadastre-se agora mesmo

 

Sobre o CineMaterna

A Associação CineMaterna é uma organização sem fins lucrativos instituída por mães, pioneira em organizar sessões de cinema especiais para famílias com bebês de até 18 meses. 

 

Foi fundada em agosto de 2008 na cidade de São Paulo por mães que, a partir de uma necessidade pessoal, desenvolveram o programa feito especialmente para famílias com bebês de até 18 meses: sessões de cinema nas quais os filmes, em sua maioria, são direcionados ao entretenimento dos adultos, mas a sala de cinema é totalmente adaptada e acolhedora para os bebês. 


A ONG está presente em diversos cinemas espalhados por 47 cidades de 16 estados brasileiros. Em 15 anos de história, já levou mais de 238 mil famílias em mais de 10 mil sessões realizadas.


Projeto “Roda: Palhaçada nos hospitais” leva alegria a hospitais públicos do Rio com bloco Breque no Piripaque

O projeto chega em sua 9ª edição, trazendo intervenções artísticas que unem arte e saúde para transformar a rotina de crianças e adolescentes internados em hospitais


Foto: Ratão Diniz/Divulgação

Projeto cultural Roda de Palhaço, que promove a integração entre arte e saúde por meio de intervenções artísticas, retorna para sua 9ª edição com o bloco Breque no Piripaque, levando a música, a alegria e o clima de brincadeira do carnaval de rua para dentro dos hospitais e transformar a rotina de crianças e adolescentes internados em hospitais públicos do Rio de Janeiro. 

Nos dias 11, 12 e 13 de março, das 10h às 13h, o bloco Breque no Piripaque percorrerá os corredores do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira/UFRJ (IPPMG), Hospital dos Servidores do Estado (HFSE) e Instituto Fernandes Figueira/FioCruz (IFF). Os cortejos carnavalescos, acompanhados por músicos e palhaços profissionais, entoarão as marchinhas tradicionais e músicas para as crianças convidando pacientes, familiares e profissionais de saúde a cantarem, dançarem e se divertirem juntos.

Além de animar a ala pediátrica, os cortejos se expandem para outros setores, além da pediatria, impactando um número ainda maior de usuários e colaboradores. A proposta é levar a energia das festas populares para aqueles que estão temporariamente impossibilitados de participar das celebrações nas ruas. 

O projeto Roda de Palhaço

De março a dezembro de 2025, o Projeto Roda: palhaçada no Hospital realizará visitas semanais com uma dupla de palhaços e palhaças nos três hospitais atendidos, com intervenções artísticas que, na interação com cada criança, estimulam a imaginação e proporcionam momentos de leveza. As atividades incluem cortejos temáticos, como o bloco Breque no Piripaque e o Tem Pamonha no Hospitá!, que celebra as tradições juninas com muito forró, e, pela primeira vez, visitas especiais de conscientização com profissionais de acessibilidade para atender crianças com deficiências (PCDs).

As intervenções, coordenadas pelos artistas Julia Schaeffer e Guilherme Miranda, não se limitam a apresentações: são encontros criativos que valorizam a expressão individual de cada criança. A partir do improviso, os palhaços constroem uma dramaturgia espontânea que incentiva o brincar e fortalece os vínculos afetivos.

Com produção da Tutu Projetos Artísticos e financiamento via Lei Rouanet e Lei do ISS, o projeto conta com o apoio de patrocinadores como AUSTRAL Seguradora, Austral Resseguradora, EDF Norte Fluminense e Afya.

Uma Ponte Entre a Arte e o Cuidado

Com visitas a três instituições de referência — Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira/UFRJ (IPPMG), Hospital dos Servidores do Estado e Instituto Fernandes Figueira/FioCruz (IFF) — os palhaços profissionais promovem encontros lúdicos que incentivam o brincar, essencial para o bem-estar infantil. As intervenções regulares, que acontece uma ou duas vezes por semana, buscam criar momentos de descontração e acolhimento, impactando não só as crianças, mas também suas famílias e profissionais de saúde.

As atividades são gratuitas e abertas a todos os pacientes e profissionais das instituições de saúde. Músicos, palhaços convidados e até mesmo patrocinadores ou repórteres podem acompanhar os cortejos mediante comunicação prévia com a assessoria do hospital.

Sobre o Projeto Roda de Palhaço: Desde sua criação em 2016, o Projeto Roda de Palhaço atua de forma contínua nos hospitais públicos do Rio de Janeiro, reafirmando o direito ao brincar garantido pelo ECA. Produzido pela Tutu Projetos Artísticos, o projeto conta com financiamento via Lei Rouanet e Lei do ISS, com patrocinadores como AUSTRAL Seguradora, Austral Resseguradora, EDF Norte Fluminense e Afya.

Coordenado por Julia Schaeffer e Guilherme Miranda, que possuem vasta experiência com arte e saúde, o projeto promove intervenções semanais leito a leito, onde os palhaços criam dramaturgias improvisadas que estimulam a criatividade das crianças e promovem momentos de leveza para familiares e profissionais de saúde. Além das visitas regulares, há cortes musicais temáticos, workshops para artistas e treinamentos para equipes hospitalares e artistas interessados.

Com quase uma década de atuação, a Roda de Palhaço segue modificando a experiência hospitalar, tornando-a um espaço de afeto, criatividade e produção de vida.

Sobre os coordenadores do projeto: Guilherme Miranda e Julia Schaeffer, os coordenadores do projeto, são artistas, palhaços e produtores com experiência na área cultural, especialmente em projetos de palhaços em hospitais. Se conheceram em 2007 trabalhando profissionalmente como palhaços da ONG Doutores da Alegria–RJ. Em 2008, criam, com outros artistas, o Projeto Roda Gigante, onde atuam e trabalham na produção em intervenções artísticas em cinco hospitais no RJ, oficinas para jovens e profissionais da saúde, e em dois espetáculos: O Sentido da Vida, espetáculo-show de uma banda de palhaços e o infantil Troca de Plantão, com cenas inspiradas na rotina dos palhaços nos hospitais. Com os dois espetáculos circulam por teatros e espaços culturais do Rio de Janeiro. Em 2016 criaram juntos o projeto Roda de Palhaço, dando continuidade ao trabalho de ações artísticas na área da saúde. 

Instagram: @rodadepalhaco 

Serviço:

Gratuito

“Projeto Roda de Palhaços - Bloco no Breque no Piripaque"

Datas: 11, 12 e 13 de março de 2025 | terça, quarta e quinta-feira

Horários: 10h às 13h

Locais:

Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira/UFRJ (IPPMG):

Rua Bruno Lobo, 50 – Cidade Universitária – Rio de Janeiro–RJ

Hospital dos Servidores do Estado (HFSE): 

Rua Sacadura Cabral, 178 – Saúde – Rio de Janeiro–RJ.

Instituto Fernandes Figueira/FioCruz (IFF):

Avenida Rui Barbosa, 716 – Flamengo – Rio de Janeiro–RJ.

Ficha Técnica:

. Direção de Produção: TUTU Projetos

. Coordenação Artística: Julia Schaeffer e Guilherme Mirand

. Direção Musical: Madá Nery e Guilherme Miranda

. Preparação corporal: Letícia Medella

. Elenco nos hospitais: Wildson França, Adriano Pellegrini, Cesar Tavares, Juliana Brisson, Eliza Neves e Antonio Valladares.


domingo, 9 de março de 2025

Dica de livro: Em busca da verdadeira autonomia

No livro A Síndrome da Gueixa, a psicóloga ayurvédica Luciana Leon reflete sobre o autoconhecimento e a emancipação emocional



Abdicar das próprias vontades e sonhos para priorizar as necessidades do próximo. Este é um comportamento comum percebido pela psicóloga Luciana Leon ao longo dos anos de clínica terapêutica. A especialista notou neste padrão que, ao atender às expectativas alheias, há geralmente um anseio do paciente em ser aceito pelo outro. A análise deste tipo de atitude, que parece vir desde a infância, e as possibilidades de remediá-la, estão no centro do livro A Síndrome da Gueixa.

Em um contexto arquetípico, a figura da artista japonesa é usada para representar alguém que estabelece como meta de vida servir ao outro. Segundo a autora, a criança que não se sente amada leva seu desejo de pertencimento para a vida adulta, e essa angústia se transforma em submissão. Porém, ao se tornar invisível para si, a pessoa acaba também não sendo vista por aqueles ao seu redor. Embora as gueixas sejam tradicionalmente apenas mulheres, todos os gêneros podem reproduzir essa postura servil.

Com casos clínicos reais, a autora exemplifica as diferentes manifestações e nuances deste condicionamento, e de que maneiras a vida dos envolvidos é prejudicada por ela, como o caso de uma paciente que tenta há anos realizar o sonho do próprio negócio, mas não sabe se conseguirá sem o apoio dos pais. Desta forma, ao longo das páginas do livro é possível acompanhar pessoas com posturas submissas em relacionamentos familiares, mas também afetivos e de amizade.

Através dos ensinamentos da Psicologia do Yoga e do Ayurveda, práticas milenares de origem indiana, é incentivado ao leitor o desenvolvimento pessoal, e a entrar em contato com as verdadeiras motivações. Para a autora, o livro não apenas foi uma forma de se despedir da própria faceta de gueixa, mas de apresentar caminhos para outras pessoas presas a este comportamento.

 

Autoamor é autocuidado. O autoamor é central. É o objetivo final, porque quando nós nos amamos é um indicativo de que, enfim, estamos nos vendo mais próximos do que somos de verdade. É escolher bem não só como nos alimentamos, mas os amigos, ambientes, estímulos. Autoamor é cuidar para não nos negligenciarmos por preço algum. (A Síndrome da Gueixa, pág. 71)

Com linguagem cotidiana acessível e acolhedora, A Síndrome da Gueixa reflete sobre a importância da autonomia e da busca por maturidade emocional, sem idealizações. Através de sua trajetória pessoal e profissional, Luciana Leon demonstra como romper condicionamentos e construir a própria maneira de estar no mundo. 

FICHA TÉCNICA

Título: A Síndrome da Gueixa
Autora: Luciana Leon
Editora: Viseu
ISBN: 9786525496115
Formato: E-book
Páginas: 226
Preço: R$ 9,90 (e-book)
Onde comprar: Amazon

Sobre a autora: Luciana Leon tem formação em psicologia, com pós-graduação em Medicina Ayurvédica pelo Suddha Dharma Mandalam É palestrante e professora de Yoga formada pelo Simplesmente Yoga, além de terapeuta Ayurvédica formada pelo Centro de Medicina Indiana do Rio de Janeiro e Vedic Counselor certificada pelo American Institute of Vedic Studies, ministrado pelo Dr. David Frawley. A síndrome da Gueixa é seu primeiro livro.

Redes sociais da autora
Instagram: @lucianaleon108


sábado, 8 de março de 2025

Andrea Schwarz conquista mercado editorial com livro que prova que sua história não se limita a uma cadeira de rodas

"Eu parei de andar e aprendi a voar" chega ao público com uma mensagem poderosa sobre autonomia e transformação


Escritora Andrea Schwarz. Foto: Divulgação


Andrea Schwarz nunca permitiu que sua identidade fosse definida por um diagnóstico. Sua trajetória não é sobre a perda dos movimentos das pernas, mas sobretudo o que construiu a partir dali. 

Seu novo livro, “Eu parei de andar e aprendi a voar”, publicado pela editora FinAppLab, não é apenas um relato pessoal, mas um convite para enxergar desafios como pontos de partida – e não como barreiras intransponíveis.

Ainda jovem, enquanto cursava a faculdade, Andrea começou a sentir os primeiros sintomas do que mudaria sua vida para sempre. Durante uma viagem, sem aviso, perdeu completamente os movimentos das pernas. O que parecia um episódio isolado se tornou permanente: no hospital, veio o diagnóstico de uma má formação congênita na medula espinhal. Não havia volta, mas havia um caminho.

Diante do inesperado, Andrea tomou uma decisão que mudaria tudo: não seria definida pelas circunstâncias, mas pelas escolhas que faria dali em diante. Sem encontrar espaços para pessoas com deficiência no mercado de trabalho, criou o seu próprio. Ao lado do marido, Jaques Haber, fundou a iigual, uma consultoria especializada em diversidade e inclusão que já ajudou mais de 20 mil profissionais a conquistarem oportunidades no mercado de trabalho. Sua atuação transformadora tornou-a reconhecida como uma das 500 Pessoas Mais Influentes da América Latina pela Bloomberg Línea por quatro anos consecutivos. Também foi nomeada uma das 22 mulheres mais influentes do Brasil pela Marie Claire e recebeu o Prêmio Ibest, colocando o seu perfil entre os dez maiores do país na área de diversidade e inclusão.

Mas Andrea nunca se preocupou em se encaixar em rótulos. Sua vida sempre foi guiada por escolhas e pela recusa em aceitar que houvesse limites para seus sonhos. Como ela mesma diz: “Eu não sou o que me aconteceu. Sou o que escolhi me tornar”.

Agora, ao lançar “Eu parei de andar e aprendi a voar”, Andrea compartilha sua visão com o leitor. O livro não é um manual de como driblar as dificuldades, nem uma biografia convencional. É um chamado para que cada um olhe para sua própria vida e reflita sobre o que está fazendo com as oportunidades que tem. Não importa quais sejam os desafios, sempre há um novo caminho para seguir.

A obra chega ao público pela FinAppLab, editora boutique que aposta em narrativas transformadoras. Para a CEO da editora, Daniela Metzger Rochman, o impacto do livro vai muito além das páginas. “Andrea não apenas narra sua jornada, mas nos desafia a enxergar as nossas com outros olhos. É um livro que faz o leitor sair diferente do que entrou”, afirma.

“Eu parei de andar e aprendi a voar” não é sobre limitações, mas sobre movimento. Porque voar nunca foi sobre ter ou não ter asas – mas sobre a decisão de não ficar no chão.

Foto: Divulgação
Sobre a Autora

Andrea Schwarz é uma empreendedora social, palestrante, influenciadora digital, ativista que transforma desafios em oportunidades. Aos 22 anos, tornou-se uma pessoa com deficiência, e descobriu seu propósito: construir um mundo mais acessível, inclusivo e empático. Fundadora da iigual, consultoria especializada em inclusão e diversidade, a autora já impactou grandes empresas e ajudou mais de 20 mil pessoas com deficiência a entrarem no mercado de trabalho. Foi a primeira mulher com deficiência a ser reconhecida como LinkedIn Top Voice. Foi nomeada entre as 500 Pessoas Mais Influentes da América Latina em 2021, 2022, 2023 e 2024 pela Bloomberg Línea. Entrou na lista das 22 mulheres mais influentes pela revista Marie Claire. Em 2024 Andrea está entre os 10 maiores influenciadores de DEI (IBEST), top 3 Inclusão e Impacto Social (FAVIKON),  Influenciador Linkedin Top 9 Brasil (FAVIKON) e entre os 100 maiores influenciadores de RH (RH Summit) Andrea parou de andar e aprendeu a voar!

Instagram: @dea_schwarz

Linkedin: https://www.linkedin.com/in/andrea-schwarz/


quinta-feira, 6 de março de 2025

Dia Internacional da Mulher: como a desigualdade de gênero afeta o diagnóstico de autismo em mulheres?

Especialista destaca que estereótipos de gênero contribuem para que os sinais do TEA passem despercebidos


Foto: Freepik


O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um momento de reflexão não apenas sobre conquistas e desafios, mas também sobre as diversas experiências femininas, como a vivência das mulheres autistas.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas. No entanto, essa estatística está diretamente relacionada a fatores como diferenças genéticas, papéis de gênero e um histórico de subdiagnóstico feminino na medicina.

“Ainda há uma grande desinformação sobre o autismo, e quando falamos de mulheres no espectro, o tema se torna ainda mais negligenciado. O caminho das mulheres autistas é marcado por desafios específicos, desde o diagnóstico tardio ou equivocado até dificuldades no mercado de trabalho e na vida pessoal. Precisamos trazer esse debate à tona constantemente”, afirma a psicóloga Thalita Possmoser, Vice Presidente Clínica da Genial Care

Isso acontece principalmente porque muitas vezes as meninas não se encaixam na maioria dos estereótipos do transtorno e tendem a mascaram seus sintomas muito mais do que meninos.

Ser mulher autista: um desafio invisível

Mulheres autistas enfrentam dificuldades no diagnóstico precoce devido à camuflagem social – um fenômeno no qual elas aprendem a imitar comportamentos socialmente aceitos, o que pode mascarar os sinais de autismo.

Na infância e adolescência, seus sintomas costumam ser interpretados de acordo com expectativas de gênero. Por exemplo, hiperfoco pode ser visto como sinal de inteligência, enquanto dificuldades de socialização e comunicação são frequentemente confundidas com timidez ou sensibilidade excessiva.

Para Thalita, os estereótipos de gênero na infância contribuem para que os sinais do TEA passem despercebidos. “Na vida adulta, esses sintomas podem se acumular e levar a quadros de ansiedade e depressão”.

Pesquisas recentes destacam a complexa relação entre depressão e autismo em mulheres. Estudos indicam que mulheres autistas têm maior propensão a desenvolver depressão e ansiedade ao longo da vida. Um estudo publicado no Journal of Abnormal Child Psychology revelou que indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são quatro vezes mais propensos a sofrer de depressão ao longo da vida em comparação com indivíduos neurotípicos. 

O diagnóstico, portanto, se torna ainda mais complexo. “Meninas muitas vezes não se encaixam nos estereótipos tradicionais do autismo, o que faz com que seus sintomas sejam mais sutis e camuflados. Isso impacta diretamente a identificação do TEA. O diagnóstico tardio contribui para o aumento da depressão em mulheres autistas. Devido a estereótipos de gênero e à manifestação diferenciada dos sintomas, muitas mulheres só recebem o diagnóstico na idade adulta, após anos enfrentando desafios sociais e emocionais sem a devida compreensão. Essa demora no reconhecimento do TEA pode resultar em sentimentos de inadequação e isolamento, agravando quadros depressivos” a Vice- Presidente Clínica da Genial Care.

Camuflagem social e seus impactos

A camuflagem social envolve estratégias para esconder traços autistas e se adaptar às normas sociais. Pesquisas indicam que mulheres, por serem mais pressionadas desde cedo a se comportarem de maneira “adequada” acabam ocultando características do autismo por anos.

Nos relacionamentos, a camuflagem pode dificultar o reconhecimento de padrões de interação prejudiciais. Dificuldades de compreensão social e comunicação podem resultar em isolamento ou até maior vulnerabilidade a relações abusivas, uma vez que muitas mulheres autistas têm dificuldade em identificar comportamentos manipuladores ou estabelecer limites saudáveis. 

“Sem um diagnóstico ou apoio especializado, muitas acabam sofrendo em silêncio, sem entender as razões de suas dificuldades e sem acesso às ferramentas para lidar com elas”, Thalita Possmoser. 

Como é ser mulher autista no mercado de trabalho?

No mercado de trabalho, a inclusão ainda é um desafio – muitas empresas não reconhecem as necessidades das mulheres autistas e falham em oferecer suporte adequado. O estudo Mulheres Inserção no mercado de trabalho, realizado pela Dieese, revela que o Brasil contava com 90,6 milhões de mulheres com 14 anos ou mais, das quais 47,8 milhões faziam parte da força de trabalho. Já o levantamento da Organização Pan-Americana de Saúde aponta que 70% dos trabalhadores do setor de saúde e social são mulheres.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 85% dos autistas estão fora do mercado de trabalho. Embora a Lei 8.213/91 estabeleça cotas para a contratação de pessoas com deficiência em empresas com 100 ou mais funcionários, o autismo muitas vezes não é reconhecido como uma deficiência pelos recrutadores, dificultando o acesso a essas oportunidades.

“Participei de um processo seletivo há alguns anos já, para uma vaga em uma grande empresa e quem fez esse processo seletivo foi uma empresa terceirizada, especializada no recrutamento e seleção de pessoas com deficiência. Fui muito bem na entrevista, a recrutadora, super me elogiou, mas eu nunca tive retorno dessa vaga. Não tive qualquer sequência, depois de um tempo em contato novamente com essa empresa, a pessoa que me atendeu ali não sabia que sou autista. Perguntei sobre como eles lidam com currículos, com perfis de pessoas autistas para as vagas de PDC para grandes empresas. E ela me falou que eles não consideram pessoas autistas para as vagas,” relata a autista e TDAH, creator e palestrante, co-fundadora do Meu Mundo Atípico Club com foco em autismo para adultos, Tabata Cristine, que comentou o ocorrido durante sua participação no 2º Congresso Extraordinário da Genial Care e Revista Autismo.

Rede de apoio para mães atípicas: onde ela está?

Muitas mulheres autistas enfrentam dificuldades para acessar redes de cuidado, especialmente quando recebem o diagnóstico na vida adulta ou precisam de suporte para seus filhos atípicos, lidando com sobrecarga emocional e estrutural.  

O levantamento “Cuidando de quem cuida: um panorama sobre as famílias e o autismo no Brasil”, promovido pela Genial Care, revelou que 86% dos cuidadores de crianças com TEA são mães, e 47% delas sentem culpa pela condição do filho. 

pesquisa “Retratos do Autismo no Brasil”, também da Genial Care, mostrou que, dentro da amostra de pessoas autistas, 24,2% são, também, pessoas cuidadoras, o que significa que estão no espectro e também são responsáveis por uma criança com o diagnóstico. Das pessoas respondentes, 65% se identifica como gênero feminino, maioria com faixa etária entre 25 e 34 anos (33%). 

Assim, além de serem maioria na rede de apoio, as mulheres que são mães atípicas enfrentam desafios dobrados ao equilibrar vida pessoal, carreira e os cuidados com filhos também atípicos.

Mais inclusão para todas as mulheres

Neste Dia da Mulher, é essencial ampliar o debate sobre mulheres neurodivergentes e promover mudanças estruturais para que elas sejam reconhecidas, compreendidas e incluídas em todas as esferas da sociedade.

A maioria das mulheres estão mais expostas a situações sociais e são forçadas a se comportarem de forma “adequada” desde muito cedo, fazendo com que muitas características do TEA sejam ocultadas nesse processo.

Por isso a importância da inclusão e representatividade quando falamos em mulheres autistas, para que cada vez mais diagnósticos e intervenções precoces sejam feitas, ajudando a mudar essa realidade e garantir que todas elas consigam desenvolver suas habilidades da melhor forma possível.

Promover a conscientização sobre o transtorno, criar espaços seguros e incentivar a comunicação aberta e honesta são formas de ajudar mulheres autistas a expressarem suas necessidades e desafios.

“A conscientização e a criação de políticas públicas voltadas para esse grupo são passos fundamentais para um futuro mais igualitário e acessível para todas. Nosso desejo é que datas como essas se tornem um marco para a construção de um mundo mais inclusivo, onde todas as mulheres possam viver com dignidade, respeito e oportunidades reais”, finaliza Thalita

Genial Care
Genial Care é uma rede de cuidado de saúde atípica especializada em crianças autistas e suas famílias. Com várias clínicas em todas as regiões de São Paulo, a empresa combina modelos terapêuticos próprios, suporte educacional e tecnologia avançada para promover bem-estar e qualidade de vida no processo de intervenção. Com uma equipe dedicada de mais de 250 profissionais, a Genial Care tem como propósito garantir que cada criança alcance seu máximo potencial.  Saiba mais: Site / YouTube / Instagram / Facebook / LinkedIn