Especialista explica como pequenas escolhas podem transformar a festa em uma experiência mais leve, segura e cheia de energia
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| Foto: Freepik |
Se existe uma temporada capaz de misturar calor intenso, multidões e noites sem dormir, essa temporada atende pelo nome de carnaval. Para muitas mulheres na menopausa, a folia pode ser tão libertadora quanto desafiadora, mas a verdade é que dá, sim, para curtir cada bloco, cada dança e cada brinde sem transformar o fogacho no protagonista da festa.
A médica e pesquisadora Fabiane Berta, especialista em menopausa, explica que a queda do estrogênio altera o sistema de termorregulação do corpo, deixando o organismo mais sensível ao calor. Na prática, isso significa que aquele aumento repentino de temperatura pode surgir no meio da avenida, acompanhado de suor e vermelhidão. Quando o álcool entra na equação, um conhecido vasodilatador, ele amplia a sensação térmica e pode intensificar os fogachos.
“Existe um mito antigo de que aproveitar o carnaval significa exagerar, mas a nova lógica do bem-estar mostra justamente o contrário. Apreciar a festa com consciência permite dançar mais, rir mais e, o mais importante, acordar bem no dia seguinte. A mulher que entende o que acontece no próprio corpo não deixa de brindar, apenas aprende a brindar melhor”, diz Fabiane.
A especialista traz 6 dicas para curtir a folia com mais conforto.
- “Água é seu melhor glitter.”
Intercale cada drink com um copo grande de água. A hidratação evita o efeito dominó do cansaço, da tontura e do mal-estar.
- “Nunca beba em jejum.”
Comer antes e durante a festa, priorizando carboidratos complexos e proteínas, desacelera a absorção do álcool e ajuda a manter a energia estável.
- “Energético com álcool não é parceria, é armadilha.”
A mistura pode mascarar sinais de excesso e aumentar a sobrecarga cardiovascular, um ponto de atenção importante na menopausa.
- “Escute os sinais do seu corpo.”
Se o fogacho aparecer logo após o primeiro gole, talvez seja o organismo pedindo uma mudança de ritmo. Respeitar esses alertas é uma forma inteligente de autocuidado.
- “Atenção redobrada se você faz terapia hormonal.”
O álcool pode interferir no metabolismo dos hormônios. Alinhar estratégias com sua médica antes do carnaval é uma decisão inteligente.
- “Tenha bebidas não alcoólicas como aliadas.”
Água de coco e outras opções refrescantes hidratam, repõem eletrólitos e ajudam o corpo a manter a temperatura sob controle.
“No fim das contas, o melhor carnaval não é o mais intenso, é o mais memorável. Vale procurar sombra quando possível, escolher roupas leves e respeitar pausas sem culpa. Porque liberdade, hoje, também significa saber se cuidar’, finaliza a médica.
Sobre Fabiane Berta:
Fabiane Berta é médica e pesquisadora (CRMSP 151.126), integrante do Science Medical Team – OB-GYN Specialist. É mestranda no setor de Climatério | Menopausa e pesquisadora adjunta no setor da Endometriose | Dor pélvica pela UNIFESP. Possui pós-graduação em Endocrinologia, Neurociências e Comportamento. É fundadora do MyPausa, iniciativa que propõe um registro nacional da menopausa nos 27 estados do Brasil para promover uma reforma na saúde feminina, com foco em acessibilidade a tratamentos atualizados e respeito à diversidade regional. Atua como PI sub e chefe do Steering Committee do Estudo MyPausa (Science Valley) e como coordenadora da Saúde Feminina para a Arnold Conference 2026.




Sobre a autora: Carol Petrolini é psicóloga do TJSP e escritora. Além do lançamento Depois da Última Lua: Uma história sobre o fim dos ciclos femininos e a idade madura, é autora de A Lua de Alice: uma história sobre a primeira menstruação e os ciclos femininos (2020, Cortez Editora). Coordena grupos de adolescentes sobre os ciclos femininos e rodas de conversa do tema em escolas.


Sobre a autora: Berenice Vieira da Silva Meurer é fisioterapeuta pélvica e professora de yoga desde 2006. Especializada em fisioterapia uroginecológica e sexualidade humana, tem foco no atendimento de mulheres em diferentes fases da vida. É idealizadora do programa Gestar Íntegro, voltado à preparação física e emocional para o parto, a amamentação e a maternidade. A partir do compromisso em promover uma relação saudável das mulheres com seus corpos e com o intuito de romper ciclos de silêncio sobre a saúde feminina, publicou o livro O Diário de Adelaine. Como escritora, ocupa a cadeira de nº4 na Academia Brasileira de Letras de Santa Catarina – seccional de Águas Mornas (ALBSC-AM) e já vendeu mais de 10 mil exemplares da obra.