terça-feira, 10 de março de 2026

Março Azul-Marinho reforça alerta para prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal no Brasil

Plano Brasil Saúde destaca dados recentes da doença e orienta sobre sinais de alerta e medidas de prevenção


Foto: Freepik

O mês de março é marcado pela campanha Março Azul-Marinho, dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal, um dos tipos mais incidentes no país e que, quando diagnosticado precocemente, pode apresentar chances de cura superiores a 90%.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cólon e reto está entre os três mais frequentes tanto em homens quanto em mulheres no Brasil e figura entre as principais causas de morte por câncer. A estimativa é de cerca de 45.630 novos casos por ano no triênio 2023-2025, com incidência aproximada de 21,1 casos a cada 100 mil habitantes — 21,4 entre mulheres e 20,8 entre homens.

O avanço da doença também é percebido na saúde suplementar. Estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) aponta crescimento de aproximadamente 80% no número de casos registrados entre 2015 e 2023 entre beneficiários de planos de saúde, com maior prevalência em pessoas acima dos 60 anos, mas com aumento progressivo também em faixas etárias mais jovens.

O cenário brasileiro acompanha uma tendência global. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o câncer colorretal está entre os mais incidentes no mundo, especialmente em países que passaram por mudanças recentes no padrão alimentar e no estilo de vida da população.

Apesar dos avanços no tratamento, o principal desafio ainda é o diagnóstico tardio. Levantamentos nacionais mostram que mais de 60% dos casos no Brasil são identificados em estágios avançados (III ou IV), o que reduz significativamente as chances de cura e aumenta a complexidade do tratamento. Muitos pacientes demoram a procurar atendimento porque os sintomas iniciais podem ser discretos ou confundidos com alterações intestinais comuns.

Sinais de alerta

Alguns sintomas merecem atenção especial:

  • Presença de sangue nas fezes
  • Alterações persistentes no hábito intestinal (diarreia ou constipação)
  • Dor ou desconforto abdominal frequente
  • Sensação de evacuação incompleta
  • Perda de peso sem causa aparente
  • Anemia de origem indefinida

A orientação é que qualquer sintoma persistente por mais de duas semanas seja avaliado por um profissional de saúde.

A importância do rastreamento

O rastreamento é considerado a principal estratégia para reduzir a mortalidade. A colonoscopia é o exame mais eficaz para identificar pólipos, lesões benignas que podem evoluir para câncer e removê-los antes que se tornem malignos.

Em geral, o exame é indicado a partir dos 45 ou 50 anos, mesmo na ausência de sintomas, conforme o protocolo adotado. Pessoas com histórico familiar da doença, obesidade, sedentarismo, tabagismo ou alimentação rica em carnes processadas podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo.

Fatores de risco e prevenção

Estudos associam o risco de desenvolver câncer colorretal a fatores como dieta pobre em fibras e rica em alimentos ultraprocessados, consumo excessivo de carnes vermelhas e processadas, sedentarismo, obesidade, tabagismo e ingestão frequente de álcool.

Por outro lado, a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso e abandono do cigarro — reduz significativamente o risco. O acompanhamento regular na Atenção Primária também é essencial para identificar fatores de risco, orientar exames e monitorar possíveis sintomas de forma precoce.

Conscientização salva vidas

A campanha Março Azul-Marinho reforça que informação e prevenção são ferramentas decisivas para mudar o cenário da doença no país. A campanha também busca reduzir o receio em relação à colonoscopia, um exame seguro, realizado com sedação e capaz de evitar intervenções mais invasivas no futuro.

Informação, prevenção e rastreamento são as principais ferramentas para mudar o cenário da doença no país. Ignorar sinais ou adiar exames pode significar perder a oportunidade de um diagnóstico precoce — e isso faz toda a diferença no desfecho do tratamento”, afirma Paulo Bittencourt, CEO do Plano Brasil Saúde.

Fonte: www.planobrasilsaude.com.br


quinta-feira, 5 de março de 2026

Quatro dúvidas mais comuns sobre o HPV

Vírus é responsável por quase todos os casos de câncer do colo do útero. Na campanha Março Lilás, especialistas esclarecem os principais pontos sobre prevenção


Foto: Freepik


A desinformação ainda é o maior obstáculo na prevenção do câncer do colo do útero ou câncer cervical. Segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com o EVA Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, 42% das mulheres entre 18 e 45 anos não sabem se foram vacinadas contra o HPV ou não se recordam. O vírus causa quase 100% dos casos de câncer do colo do útero, sendo os tipos 16 e 18 responsáveis por 70% das manifestações da doença, de acordo com o Ministério da Saúde. O carcinoma é o terceiro mais frequente na população feminina e a quarta causa de morte de mulheres por câncer.

Para esclarecer o cenário, listamos, a seguir, as quatro perguntas que mais geram dúvidas.

  1. A vacina é indicada apenas para adolescentes?

Não. Embora o SUS foque a faixa de 9 a 14 anos para garantir a proteção antes do início da vida sexual, a vacina é recomendada e eficaz para mulheres até os 45 anos. Segundo Luísa Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, mesmo quem não se vacinou na adolescência pode (e deve) buscar o imunizante na rede privada para atualizar sua proteção, conforme orientação médica.

  1. A vacina é segura e realmente funciona?

Sim. Existe um receio comum de que a proteção não seja eficaz, mas a infectologista Luísa Chebabo esclarece que o imunizante tem mais de 15 anos de uso consolidado mundialmente. “Países com alta cobertura vacinal registraram quedas drásticas em infecções e lesões precursoras de câncer do colo do útero. A vacina protege dos tipos virais de maior risco.”

  1. Quem já teve contato com o vírus ou já se vacinou ainda precisa fazer o Papanicolau?

Sim para ambas as situações. A ginecologista Martha Calvente, da clínica CDPI, também da Dasa, reforça ainda que a vacina não substitui os exames preventivos.

“Quem já teve o vírus ainda se beneficia da vacina, pois ela protege contra outros subtipos aos quais a pessoa ainda não foi exposta. Para quem já se imunizou, é importante dizer que isso não tira a necessidade de fazer o exame Papanicolau (conhecido como preventivo), que continua sendo essencial para detectar alterações celulares precoces, já que o câncer do colo do útero tem uma progressão lenta e pode ser tratado antes de se tornar um tumor.”

  1. Homens também devem se preocupar com o HPV?

Sim. “Embora o foco muitas vezes esteja no câncer do colo do útero, o HPV também pode causar verrugas genitais e câncer de pênis, ânus e orofaringe nos homens. Além disso, eles podem transmitir o vírus mesmo sem apresentar sintomas. A vacinação de meninos e homens é uma estratégia fundamental de saúde pública. Ao ampliar a cobertura vacinal, reduzimos a circulação do vírus na população e fortalecemos a proteção coletiva, o que beneficia diretamente as mulheres”, afirma o dr. Guenael Freire, infectologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica.


Artigo: Atividade física contribui para melhor desempenho, produtividade e bem-estar no trabalho

Por Bianca D'Elia


Foto: Freepik


Em um ambiente corporativo cada vez mais competitivo e dinâmico, a saúde física e mental dos colaboradores assume um papel estratégico. Cuidar do bem-estar deixou de ser apenas uma iniciativa de responsabilidade individual para se tornar um fator determinante na produtividade, no engajamento das equipes e na sustentabilidade das organizações no longo prazo.

A adoção de exercícios físicos regulares vai muito além dos benefícios corporais. A prática está diretamente associada ao aumento dos níveis de energia, à melhora da concentração e à ampliação da capacidade de foco, que são competências essenciais para lidar com rotinas intensas. De acordo com um estudo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine, empresas com profissionais fisicamente ativos apresentam um crescimento médio de 15% no rendimento e uma redução de até 27% nas ausências motivadas por problemas de saúde física ou mental.

Em um cenário desafiador, marcado por altas demandas, excesso de tempo diante das telas e comportamentos sedentários, reservar momentos para se movimentar torna-se indispensável. A boa notícia é que não são necessárias mudanças radicais na rotina. A inclusão de sessões simples de atividade física, com duração entre 20 e 30 minutos, já é suficiente para gerar impactos positivos na disposição e na qualidade de vida dos profissionais.

Optar por caminhadas curtas, utilizar as escadas em vez do elevador ou realizar alongamentos no próprio ambiente de trabalho já são suficientes para contribuir com a saúde física. O movimento corporal estimula a circulação sanguínea, favorece o ganho de massa e fortalecimento muscular que ajuda na prevenção de lesões, permitindo ao trabalhador desempenhar suas funções com mais conforto e eficiência. 

Além disso, fazer pausas ativas e o simples ato de levantar-se por alguns períodos durante o expediente auxiliam no alívio da tensão e na melhoria da postura, especialmente para quem passa longos períodos na mesma posição. Sem falar que a realização de qualquer exercício, mesmo que breve, promove a liberação de endorfinas, conhecidas como "hormônios da felicidade", que são responsáveis por gerar sensações de satisfação e relaxamento, atuando diretamente no controle dos níveis de estresse.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a atividade física também é uma aliada fundamental na prevenção de doenças crônicas. A prática regular pode reduzir em até 30% o risco de doenças cardiovasculares, diminuir a probabilidade de desenvolvimento de diabetes e auxiliar de forma significativa para a prevenção de diferentes tipos de câncer, além de condições como osteoporose e depressão.

Empresas que investem em ações de incentivo a hábitos saudáveis conquistam um importante diferencial competitivo. Mais do que a ginástica laboral, estimular o movimento contínuo representa um investimento estratégico em capital humano. Priorizar o bem-estar dos colaboradores reflete diretamente na retenção de talentos, na redução de custos relacionados à saúde e na melhoria consistente dos indicadores de desempenho organizacional.

*Bianca D’Elia é coordenadora técnica da Selfit Academias, uma das maiores redes fitness da América Latina.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Rio inicia vacinação contra a dengue com imunizante do Butantan

Primeira fase da campanha contempla trabalhadores de saúde da Atenção Primária


Foto: Edu Kapps/SMS

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS) deu início, nesta terça-feira (24), à vacinação contra a dengue com o novo imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. Nesta primeira fase da campanha, serão contemplados os trabalhadores de saúde da rede de Atenção Primária. De maneira estratégica, todos os funcionários das 100 unidades (clínicas da família ou centros municipais de saúde) com maior registro de casos de dengue em 2025 serão imunizados na atual etapa. Em breve a vacinação estará disponível para outros grupos, conforme o plano de distribuição de doses do Ministério da Saúde. 

A nova fórmula é de dose única e indicada para pessoas de 15 a 59 anos que não receberam nenhuma vacina contra a doença. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o imunizante do Instituto Butantan protege contra os quatro sorotipos de vírus da dengue, contribuindo para a redução de hospitalizações e mortes decorrentes da doença. Para a inauguração da campanha, o município do Rio recebeu uma remessa de 12.500 doses. 

Os trabalhadores da saúde do Centro Municipal de Saúde José Manoel Ferreira, no Catete, foram os primeiros a receber a nova vacina. A unidade teve o maior número de casos de dengue atendidos na rede em 2025.

Com o apoio do Ministério da Saúde, a cidade do Rio começou a vacinar os profissionais das clínicas da família e centros municipais de saúde que trabalham diariamente com a população, percorrendo cada espaço do seu território de atuação, de porta em porta, levando serviços do SUS e educação em saúde. Esta vacina é segura e 100% nacional, produzida pelo Instituto Butantan, uma referência para a saúde pública brasileira”, diz o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. 

A diretora do CMS, Luiza Motta, foi uma das primeiras profissionais vacinadas com a nova vacina e destacou a emoção de fazer parte desse momento.

Acho uma honra poder abrir essa campanha e vacinar profissionais de uma unidade que mais atendeu e cuidou de casos de dengue no ano passado. É um momento emocionante poder dar início ao processo de erradicação de uma doença que causa muitos danos e mata. É maravilhoso fazer parte desse pontapé inicial, de uma campanha de saúde pública tão fundamental para a cidade do Rio de Janeiro”, diz a diretora.

Maria Peres, enfermeira sanitarista, também foi uma das profissionais vacinadas neste primeiro dia e destacou a importância da vigilância no território e o simbolismo de ser a primeira unidade a receber o imunizante.

Eu acho muito simbólico que a gente seja a primeira unidade a fazer esse gesto vacinal, principalmente pelo tamanho da nossa responsabilidade sanitária. Nós somos muito comprometidos com o trabalho que fazemos na rede e esse dado de 195 atendimentos no ano passado mostra um pouco da nossa potência enquanto equipe e o quanto a gente se dedica pela vigilância do nosso território. Então poder vacinar os nossos profissionais, que são tão dedicados, é um presente”, destacou.

A vacina do Butantan é contraindicada a indivíduos imunocomprometidos, gestantes e pessoas que têm alergia grave a algum componente de sua fórmula. Caso o trabalhador de saúde tenha recebido outro imunizante recentemente (tríplice viral, febre amarela etc.), deverá aguardar intervalo de 30 dias ou 24h, a depender do imunizante recebido anteriormente, conforme orientação dos profissionais de saúde. 

Vacinação contra a dengue em crianças e adolescentes

Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, a imunização contra a dengue segue com a vacina Qdenga, aplicada em esquema de duas doses. Ela está disponível nos 240 pontos de vacinação da rede de Atenção Primária — centros municipais de saúde, clínicas da família e as unidades do Super Centro Carioca de Vacinação na Zona Norte (Shopping Nova América),  Sul (Botafogo) e Oeste (ParkShoppingCampoGrande).

Desde a abertura da campanha para a vacinação de crianças e adolescentes, em 2024, aproximadamente 206 mil pessoas receberam a primeira dose e 104 mil receberam a segunda. A SMS orienta para que os responsáveis levem as crianças e adolescentes para completarem o seu esquema vacinal, garantindo a proteção total contra a doença. Em 2025, a cidade do Rio registrou 9.291 casos de dengue e quatro óbitos

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Aloe vera protege pele e cabelos no carnaval

Dermaticista explica que planta se destaca como aliada contra os danos do sol


Fonte: Freepik


Sol intenso, blocos nas ruas e longas horas de exposição durante o carnaval exigem cuidados redobrados com a pele e os cabelos. Nesse cenário, a aloe vera, popularmente conhecida como babosa, surge como uma solução completa, capaz de hidratar, regenerar e criar uma barreira protetora contra os efeitos nocivos da radiação solar.

A especialista em saúde e estética Patrícia Elias explica que a planta é rica em aminoácidos, vitaminas e compostos bioativos que oferecem ação calmante e anti-inflamatória, ajudando a prevenir irritações, queimaduras e ressecamento da pele, além de fortalecer os fios e proteger o couro cabeludo do calor excessivo.

“A babosa é cientificamente comprovada como uma proteção natural contra os danos causados pelo sol. Pode ser aplicada tanto na pele quanto diretamente na raiz do cabelo antes da exposição solar”, afirma Patrícia. 

Além de funcionar como um escudo natural durante a folia, também auxilia no controle da oleosidade, estimula o crescimento capilar e reduz a queda. Para quem pretende apostar em penteados presos para enfrentar as altas temperaturas, a recomendação é combinar a aplicação na raiz com um protetor térmico nos fios.

O protagonismo da aloe vera vai além do cuidado sazonal e acompanha uma mudança relevante no comportamento do consumidor brasileiro, cada vez mais interessado em fórmulas limpas, sustentáveis e eficazes. Esse movimento tem impulsionado o segmento de dermocosméticos veganos no país.

“Os compostos da planta estimulam a produção de colágeno e elastina, favorecendo a firmeza e a elasticidade da pele. Com base nesse potencial terapêutico, desenvolvi um gel de aloe vera 100% vegano e orgânico, indicado para todos os tipos de pele, inclusive as mais sensíveis”, explica Patrícia.

A dermaticista que reúne quase 8 milhões de inscritos em seu canal no YouTube explica que a fórmula é livre de parabenos, fragrâncias sintéticas e corantes, com rápida absorção e alta concentração de ativos naturais e que além da hidratação profunda, atua como calmante, regenerador e protetor contra danos causados por sol e poluição.

O produto também apresenta propriedades antimicrobianas e cicatrizantes, sendo indicado para auxiliar em casos de rosácea, vermelhidão, pequenas lesões e queimaduras leves, benefícios que reforçam sua aderência ao conceito de clean beauty, pautado pela transparência e pelo consumo consciente.

“Mais do que uma tendência passageira, a popularização da babosa simboliza uma nova fase do mercado de beleza, na qual tradição e ciência caminham juntas. Versátil e acessível, a planta se consolida como um verdadeiro coringa para quem deseja aproveitar o carnaval com proteção completa, da pele aos cabelos, sem abrir mão de escolhas mais responsáveis”, finaliza Elias.

Patrícia Elias é bacharel em Estética e Cosmetologia e pós-graduada em Dermaticista pela Faculdade IBECO. Especialista em tratamento de Melasma, hipercromias, flacidez cutânea e saúde da pele em geral. Site: https://patriciaelias.com.br/


6 dicas para a mulher na menopausa aproveitar o carnaval

Especialista explica como pequenas escolhas podem transformar a festa em uma experiência mais leve, segura e cheia de energia


Foto: Freepik


Se existe uma temporada capaz de misturar calor intenso, multidões e noites sem dormir, essa temporada atende pelo nome de carnaval. Para muitas mulheres na menopausa, a folia pode ser tão libertadora quanto desafiadora, mas a verdade é que dá, sim, para curtir cada bloco, cada dança e cada brinde sem transformar o fogacho no protagonista da festa.

A médica e pesquisadora Fabiane Berta, especialista em menopausa, explica que a queda do estrogênio altera o sistema de termorregulação do corpo, deixando o organismo mais sensível ao calor. Na prática, isso significa que aquele aumento repentino de temperatura pode surgir no meio da avenida, acompanhado de suor e vermelhidão. Quando o álcool entra na equação, um conhecido vasodilatador, ele amplia a sensação térmica e pode intensificar os fogachos.

“Existe um mito antigo de que aproveitar o carnaval significa exagerar, mas a nova lógica do bem-estar mostra justamente o contrário. Apreciar a festa com consciência permite dançar mais, rir mais e, o mais importante, acordar bem no dia seguinte. A mulher que entende o que acontece no próprio corpo não deixa de brindar, apenas aprende a brindar melhor”, diz Fabiane.

A especialista traz 6 dicas para curtir a folia com mais conforto.

  1. “Água é seu melhor glitter.”
    Intercale cada drink com um copo grande de água. A hidratação evita o efeito dominó do cansaço, da tontura e do mal-estar. 
  1. “Nunca beba em jejum.”
    Comer antes e durante a festa, priorizando carboidratos complexos e proteínas, desacelera a absorção do álcool e ajuda a manter a energia estável. 
  1. “Energético com álcool não é parceria, é armadilha.”
    A mistura pode mascarar sinais de excesso e aumentar a sobrecarga cardiovascular, um ponto de atenção importante na menopausa. 
  1. “Escute os sinais do seu corpo.”
    Se o fogacho aparecer logo após o primeiro gole, talvez seja o organismo pedindo uma mudança de ritmo. Respeitar esses alertas é uma forma inteligente de autocuidado. 
  1. “Atenção redobrada se você faz terapia hormonal.”
    O álcool pode interferir no metabolismo dos hormônios. Alinhar estratégias com sua médica antes do carnaval é uma decisão inteligente. 
  1. “Tenha bebidas não alcoólicas como aliadas.”
    Água de coco e outras opções refrescantes hidratam, repõem eletrólitos e ajudam o corpo a manter a temperatura sob controle.

No fim das contas, o melhor carnaval não é o mais intenso, é o mais memorável. Vale procurar sombra quando possível, escolher roupas leves e respeitar pausas sem culpa. Porque liberdade, hoje, também significa saber se cuidar’, finaliza a médica.

Sobre Fabiane Berta:
Fabiane Berta é médica e pesquisadora (CRMSP 151.126), integrante do Science Medical Team – OB-GYN Specialist. É mestranda no setor de Climatério | Menopausa e pesquisadora adjunta no setor da Endometriose | Dor pélvica pela UNIFESP. Possui pós-graduação em Endocrinologia, Neurociências e Comportamento. É fundadora do MyPausa, iniciativa que propõe um registro nacional da menopausa nos 27 estados do Brasil para promover uma reforma na saúde feminina, com foco em acessibilidade a tratamentos atualizados e respeito à diversidade regional. Atua como PI sub e chefe do Steering Committee do Estudo MyPausa (Science Valley) e como coordenadora da Saúde Feminina para a Arnold Conference 2026.


Como preparar o corpo para os dias intensos de Carnaval

 

Ortopedista dá dicas de preparo físico para aqueles que forem curtir os bloquinhos de rua



Blocos de rua - Foto: Fernando Maia | Riotur

O Carnaval é comparável a uma maratona, exigindo do corpo preparo físico para resistir ao calor e ao desgaste de pular por dias seguidos. Com isso, além de separar a fantasia, para aproveitar bem os dias de festas, a preparação para o feriado deve incluir também cuidados com o corpo.

O ortopedista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Fernando Baldy dos Reis, reforça que o preparo deve começar com foco na resistência cardiorrespiratória e no fortalecimento, incluindo exercícios aeróbicos e fortalecimento do core (abdômen e lombar), além das pernas.

O preparo físico deve blindar o corpo contra as queixas mais comuns. O fortalecimento das panturrilhas, que funcionam como o ‘segundo coração’ e previnem inchaço, deve ser feito com elevações de calcanhar. Para combater a dor nas costas, por exemplo, exercícios de prancha fortalecem o core e mantêm a postura, assim como, agachamentos simples fortalecem o quadríceps, protegendo os joelhos do impacto da folia”, reforça o especialista.

Durante o Carnaval, o ortopedista recomenda manter o foco no conforto e optar por calçados como tênis já amaciados e meias de algodão para evitar bolhas e lesões, além de roupas leves de tecidos que respirem para combater o superaquecimento. Vale ressaltar também que com altas temperaturas, a alimentação mais leve e hidratação são importantes para a saúde.

O calçado ideal para a festa é o tênis de corrida ou caminhada (running), que oferece o amortecimento necessário para absorver o impacto de horas de pulo, protegendo joelhos e coluna. A estabilidade desses modelos também é necessária para evitar torções em pisos irregulares”, comenta Baldy.

Além disso, o ortopedista ainda ressalta que calçados como rasteirinhas, chinelos e tênis de sola reta devem ser evitados por conta do risco de lesões, falta de amortecimento e dores lombares. “Outra dica para o feriado é evitar a hiperextensão dos joelhos e alternar o peso entre as pernas para dar descanso à musculatura. É importante também usar cremes antiatrito que previnem assaduras, comuns pelo suor e movimento”, explica o médico.

O que fazer depois de aproveitar o dia?

Ao chegar em casa, o protocolo de recuperação é necessário para poder aproveitar o dia seguinte. Uma das recomendações para relaxar o corpo é deitar com as pernas elevadas por 15 a 20 minutos para aliviar possíveis inchaços. 

Se houver dor, aplique gelo nas articulações (tornozelo/joelho) e tome banho morno para relaxar a musculatura tensa. Massagear a planta do pé com uma bolinha de tênis também alivia a dor causada pela fáscia plantar”, recomenda Baldy. 

O ortopedista também indica três movimentos com foco em preparar o corpo de quem curtiu a festa no dia anterior e vai aproveitar a festa mais uma vez.

1. O "Abraço Salva-Lombar" 

Como fazer: Ainda na cama ou num tapete no chão, deite-se de barriga para cima. Dobre os joelhos e abrace-os contra o peito. Mantenha a posição por 20 a 30 segundos. Se quiser, balance lentamente o corpo para a esquerda e para a direita, como se estivesse massageando as costas no chão. “Esse movimento abre os espaços entre as vértebras da lombar, que ficaram comprimidas depois de horas em pé”, explica.

2. O "Empurra Parede" 

Como fazer: Fique em pé de frente para uma parede e apoie as mãos nela. Coloque uma perna à frente (joelho flexionado) e estique a outra perna lá atrás, tentando não tirar o calcanhar do chão. 

Empurre a parede como se quisesse movê-la de lugar. Você vai sentir "puxar" a batata da perna de trás. Segure 30 segundos cada perna. “A panturrilha é o músculo que mais sofre impacto. Alongá-la de manhã evita que ela trave no meio do bloco”, reforça o médico.

3. O "Boneco de Pano" 

Como fazer: Fique em pé e afaste os pés na largura do quadril. Dobre levemente os joelhos (não deixe eles travados esticados). Vá descendo o tronco devagar em direção ao chão, começando pela cabeça, enrolando a coluna. Deixe os braços soltos, pendurados, pesados. 

Não tente encostar a mão no chão à força. Apenas deixe a gravidade puxar seu tronco para baixo. Relaxe o pescoço (faça um movimento de "não" com a cabeça para garantir que está solto). Fique ali por 30 segundos e suba desenrolando devagar, vértebra por vértebra (a cabeça é a última a subir). Esse movimento serve para descomprimir a coluna e aliviar a tensão nos ombros e pescoço.

O foco dos exercícios é lombar, panturrilha e sola dos pés. Faça os movimentos assim que levantar da cama ou após um banho morno, que ajuda a soltar os músculos. Não se deve fazer movimentos bruscos, pois o corpo ainda está frio. Um bom exercício para os pés antes de calçar o tênis é sentar-se e girar os tornozelos dez vezes para cada lado, pois isso lubrifica a articulação antes de começar a carga de impacto”, conclui o ortopedista.

Fonte: Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo